O caminho do Yoga (*)

 

A.C. Bhaktivedanta Swami

Tradução e edição Vanavihari Devi Dasi

 

No progresso do ser vivo rumo à perfeição do Yoga, nascer em uma família de yogis é um grande benefício. É um estímulo especial. Entretanto, como consta no Bhagavad-gita, quando o yogi se empenha com sinceridade, em avanço progressivo, procurando se limpar de suas contaminações, depois de muitos e muitos nascimentos de prática, ele alcança a meta suprema.

 

Ou seja, quando finalmente fica livre de todas as contaminações, o yogi atinge a perfeição do Yoga – a absorção total em Deus. Depois de muitas vidas executando atividades piedosas, quando se livra de todas as identificações que surgem das dualidades ilusórias, ele se ocupa no serviço transcendental a Deus.

 

Confirma o Bhagavad-gita que, depois de muitos nascimentos e mortes, quem estiver realmente em conhecimento se rende a Deus. Reconhecendo-O como causa de todas as causas e de tudo que existe. E essa grande alma é muito rara (Bg. 7.19).

 

Diz ainda o Bhagavad-gita que, de todos os yogis, aquele que sempre permanece com grande fé em Deus, adorando-O em serviço amoroso transcendental, está intimamente unido a Ele em Yoga.  E é o mais elevado de todos (Bg. 6.47). 

 

Portanto, a culminação do Yoga está em Bhakti-yoga, a rendição ao serviço devocional a Deus. Na verdade, as descrições dos estágios de Yoga no Bhagavad-gita concluem que Deus é o fim último de todos os sistemas de Yoga.

 

Desde o princípio de Karma-yoga ao fim de Bhakti-yoga, há um longo caminho para a auto-realização. Karma-yoga, sem resultados fruitivos, é o começo deste caminho.

 

De fato, Bhakti-yoga é a última meta, mas, para analisá-la minuciosamente, é necessário entender os outros processos. Quando Karma-yoga conduz ao conhecimento e à renúncia, o estágio seguinte passa a ser Jnana-yoga, ou yoga de conhecimento. Quando, por meio de processos físicos diversos, Jnana-yoga conduz à meditação em Deus, e a mente se fixa nEle, passa a ser Astanga-yoga. E, quando se ultrapassa Astanga-yoga e se começa a adorar Deus, então essa é a fase de Bhakti-Yoga – a culminação.

 

O yogi que progride nos sistemas de Yoga está, então, no verdadeiro caminho da boa fortuna eterna. Porém, quem permanece em um estágio particular, e não progride mais, é chamado por um nome em particular, como karma-yogi, jnana-yogi, dhyana-yogi, raja-yogi, hatha-yogi etc. Se alguém é afortunado o bastante para chegar à fase de Bhakti-Yoga, entende-se que ultrapassou todos os outros sistemas de Yoga. 

 

Bhakti-Yoga é o último elo na cadeia do Yoga que une à Pessoa Suprema, Deus. Sem este elo final, a cadeia é praticamente inútil. Quem estiver verdadeiramente interessado na perfeição do processo de Yoga deve fazer serviço a Deus, para ultrapassar todos os outros sistemas e atingir a última meta do Yoga – amor por Deus. 

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(*) Texto extraído livro The perfection of Yoga. Editora Bhaktivedanta Book Trust;

Vanavihari Devi Dasi é jornalista, Mestre em Análise do Discurso, pesquisadora da Filosofia Védica e discípula de Hridayananda Das Goswami.

 

 

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