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Haridas Thakur
Haridas Thakur apareceu neste mundo há cerca de 500 anos, na Vila Buron, no distrito atual de Sat-kira, antiga subdivisão de Khulna, em Bangladesh. Por esta grande fortuna, essa terra foi abençoada. O processo de cantar os santos nomes de Krishna foi revelado lá.
Depois de permanecer nesse local por algum tempo, Haridas foi para as margens do Ganges, em Fulia, perto de Shantipur, na Índia. Advaita Acarya rejubilava-se de ter conseguido aproximar-se dele e proclamava isso de maneira ruidosa. Ambos começaram juntos a flutuar nas ondas das doçuras das atividades de Krsna-Govinda (C. B. Adi 16.18).
Haridas Thakur é um eterno liberado parceiro do Senhor. Os companheiros do Senhor são adoráveis onde quer que apareçam. Assim como Garuda apareceu como um pássaro, e Hanuman, como um macaco, Haridas Thakur apareceu em uma família de Mulçumanos. Desde o nascimento, ele foi de maneira muito profunda um devoto dos santos nomes de Krishna.
Os brahmanas residentes em Fulia ficavam muito contentes ao verem como Haridas Thakur adorava o Santo Nome e o costumavam visitar todos os dias. Gradualmente, começaram a difundir suas glórias. Quando um inspetor muçulmano tomou conhecimento disso, começou a ferver de malícia e foi até o rei muçulmano local para informá-lo: “Embora seja muçulmano, ele se comporta como um hindu”. E sugeriu, então, que o rei tentasse um contato com Haridas. Depois de ouvir as palavras daquele homem pecador, o rei local, que também era muito pecador, ordenou que levassem Haridas até ele imediatamente (C. B. Adi 16.37).
O rei muçulmano mandou que Haridas abandonasse o canto dos santos nomes de Krishna e recitasse a Kalma (oração dos mulçumanos). Ao que Haridas respondeu: "O Supremo Senhor é um só, embora Seus nomes sejam diferentes. As escrituras sagradas hindus são os Puranas, e a escritura sagrada muçulmana é o Alcorão. Cada um age como é inspirado pelo Senhor, como eu também faço. Alguns muçulmanos se tornam hindus, e alguns hindus se tornam muçulmanos, para adorar a Deus. Ó, Maharaja, agora pode julgar-me”.
O rei replicou, então, que ele seria punido. Em resposta, Haridas Thakur exclamou: "Mesmo que cortem meu corpo em pedaços, jamais desistirei de cantar o nome de Hari” (C. B. Adi 6.94).
Depois de ouvir estas palavras de Haridas, faladas com grande determinação, o rei declarou: "Ele deve ser espancado em 22 feiras. Se ele não morrer depois disto, então saberei que o cavalheiro instruído fala a verdade”.
Enquanto era espancado, Haridas lembrava-se do Senhor cantando "Krsna Krsna". E, na felicidade dessa lembrança, ele não sentia nenhuma dor (C. B. Adi 16.102).
Os muçulmanos, embora tentassem machucar Haridas Thakur, não o conseguiam. Haridas Thakur permanecia imerso no néctar dos Santos Nomes, e gradualmente os muçulmanos puderam entender que ele não era uma pessoa comum.
Assim, humildemente, dirigiram-se a Thakur: “Haridas! Agora compreendemos que você é uma pessoa genuinamente santa. Ninguém consegue fazer qualquer coisa a você”.
Enquanto ouvia tais apelos temerosos, Haridas perdeu a consciência externa e entrou em profunda meditação nos Santos Nomes do Senhor. Os muçulmanos, então, carregaram seu corpo nos ombros e, pensando que ele estava morto, jogaram-no no Rio Ganges. O corpo de Haridas flutuou no Ganges até chegar a Fulia, onde ele saiu da água e começou a cantar bem alto o nome de Hari.
Ao contemplar a grandeza de Haridas Thakur, os muçulmanos ficaram com medo. Foram até ele e imploraram por seu perdão por terem-no ofendido. Considerando-o um homem santo, eles ofereceram-no suas saudações e foram liberados de suas ofensas.
Haridas Thakur costumava cantar o nome do Senhor em uma caverna escavada como um buraco, na base de uma árvore. Esta caverna ainda existe perto de Fulia, à margem do Ganges. Pode-se chegar lá de trem, partindo de Shantipur.
Nas raízes desta árvore também vivia uma serpente venenosa. Com medo dessa serpente, quem o visitavam não conseguia permanecer no local por muito tempo. E, um dia, comentaram com Haridas sobre a serpente que preocupava a todos. Haridas Thakur, então chamou a serpente e falou: "Meu querido senhor, se de fato você estiver residindo aqui, então eu peço que se vá amanhã, caso contrário, eu definitivamente partirei daqui”. Ouvindo isto, a serpente imediatamente saiu de seu buraco e, depois de oferecer reverência a Haridas, ela se foi.
Certa vez, Haridas Thakur visitou uma vila, no distrito de Jessore, chamado Harinode, predominantemente habitado por brahmanas. E, um dia, durante uma discussão religiosa, um brahmana orgulhoso abordou Haridas e perguntou: “Por que você canta o Santo Nome tão alto? Nas escrituras, recomenda-se cantar mentalmente”. Como resposta, Haridas Thakur falou: "Os pássaros, as feras e o insetos não podem cantar os Santos Nomes, mas se eles puderem Os ouvir, também alcançarão a liberação. Se alguém sozinho canta para si os Santos Nomes, libera somente a si próprio. Mas, se canta bem alto, o benefício torna-se cem vezes maior. Esta é a conclusão das escrituras” (C. B. Adi 16.180).
Ao ouvir a afirmação objetiva de Haridas, aquele brahmana pecador não pôde tolerar e exclamou: “Em Kali-yuga, os sudras (casta social sem prestígio) recitarão as escrituras sagradas, agora posso ver isto com meus próprios olhos”. Como resposta a esta ofensa pessoal, Haridas, simples e silenciosamente, deixou a assembléia. Em poucos dias, aquele brahmana contraiu úlceras de lepra. O resultado da ofensa a um Vaishnava manifesta-se imediatamente. Em Kali-yuga, demônios nascem em famílias de brahmanas, com objetivo de causar problemas a pessoas honestas e virtuosas (C.B. Adi 16.300).
Numa outra vez, Haridas decidiu visitar os Vaishnavas de Navadwipa, em Bengala, Índia. Todos lá ficaram tomados de êxtase, para ver Haridas. Adwaita Acarya amava Haridas tanto quanto Sua própria vida e ofereceria a primeira prasada a Haridas Thakur, que é feito somente para a alta classe dos brahmanas
Haridas Thakur viveu por algum tempo em Benapol, que ficava no distrito de Jessore. Todo dia e toda noite, ele cantava 300 mil vezes os Santos Nomes. Nessa época, quando Chaitanya Mahaprabhu exibiu Suas divinas opulências manifestando-Se como a Suprema Personalidade de Deus, no pátio da casa de Srivasa Pandita, Ele chamou Seu querido devoto e disse: "Haridasa! Quando aqueles muçulmanos batiam em você, Eu estava pronto para destruí-los com Minha Sudarsana Cakra, mas, como você orava pelo bem-estar dele, Eu fiquei incapaz de fazer qualquer coisa” (C. B. Madhya 10.42). “Então, aceitei seus socos em Meu próprio corpo. Veja, as feridas ainda estão aqui em Meu corpo”.
Ao ver aquelas marcas, Haridas desfaleceu em amor extático. Depois de recuperar sua consciência, ele começou exaltar o Deus de sua vida: “Ó, Senhor Viswambhara, mestre do Universo, por favor, tenha misericórdia deste pecador, que caiu aos Seus pés. Não tenho nenhuma boa qualidade e sou um vil miserável, rejeitado por todas as classes de homens. Como eu posso descrever Seu caráter divino?” (C. B. Mad 20.580).
Haridas esteve presente em muitas das atividades do Senhor em Nadia, e quando o Senhor foi para Jagannatha Puri, Haridas também foi e arrumou residência lá. Todos os dias, o Senhor Chaitanya ia visitá-lo e levar prasada para ele. Quando Sanatana Goswami e Rupa Goswami iam de Vrindavana a Puri, eles costumavam ficar com Haridas Thakur.
Para manter a etiqueta, Haridasa não se aproximava do templo do Senhor Jagannatha, mas oferecia suas reverências à Chakra, no topo do templo, a distância. Como ele era considerado um muçulmano por nascimento, sua presença no templo seria repreensível para quem era consciente de casta.
Chaitanya Mahaprabhu o apontava como “o acharya (aquele que prega pelo exemplo) do Santo Nome”. Sua partida deste mundo, na presença de Chaitanya Mahaprabhu, é completamente descrita por Krsna dasa Kaviraja Gosvami, no Antya-lila do Sri Chaitanya Caritamrta.
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